quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Campo de batalha global agora é na inovação, diz diretor da área na ONU...

O diretor-geral da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi), o australiano Francis Gurry, veio ao Brasil para uma conferência sobre esporte no Rio e uma visita oficial a Brasília na última semana. Sua presença coincidiu com o anúncio pelo governo de uma contribuição de US$ 1 milhão à Ompi, órgão da ONU, e do estabelecimento de um centro de mediação conjunto.
                Gurry, que foi eleito em 2008 com apenas um voto a mais que o candidato brasileiro, José Graça Aranha, saúda a crescente colaboração do país na Ompi e anota uma mudança de atitude, de três anos para cá, com maior aceitação da propriedade intelectual pelo governo.
Mas o Brasil vai mal nos rankings de inovação e patentes da organização, e Gurry alerta que "a inovação é, cada vez mais, o campo de batalha" global. Cita a disputa entre a americana Apple e a sul-coreana Samsung.
"É indicação do que vem por aí, ou seja, que cada vez mais a competição será baseada em inovação." Gurry diz que o Brasil será uma potência em inovação, mas "no futuro".


Folha - Sua eleição para a Ompi em 2008, apoiado pelos EUA, foi uma derrota para o Brasil. Os laços foram restaurados? Como é o diálogo hoje?
Francis Gurry - Veja, eu só tenho elogios para o engajamento do Brasil na organização. Tem sido um parceiro construtivo, vigorosamente engajado em todos os aspectos, nas atividades de normatização, na Agenda de Desenvolvimento e como doador. Sim, nós tivemos uma disputa apertada em 2008, mas isso ficou para trás e agora avançamos para uma relação muito cooperativa.

O Brasil vai direcionar US$ 1 milhão a um fundo, administrado pela Ompi, para ajudar países na adoção de regras de propriedade intelectual. Esse financiamento indica uma atitude diferente do Brasil em relação à propriedade intelectual?
Antes de mais nada, me permita agradecer a generosidade do governo brasileiro. Esse fundo é importante porque foca a cooperação Sul-Sul, busca maneiras de melhorá-la, especialmente entre os emergentes. É um fundo muito efetivo, que permite à Ompi buscar erguer relações comerciais entre os países do Sul.

O fundo é direcionado, sobretudo à África?
Sobretudo à África e aos países lusófonos. Antecipa um engajamento importante do Brasil na África. O Brasil também vai adotar, junto com a Ompi, um centro de mediação para conflitos de propriedade intelectual. A mediação é um meio muito útil de solução de conflitos, pode ser muito rápida, é acessível às pessoas, não exige processos de alto custo. As disputas entre brasileiros serão tratadas exclusivamente pelo Brasil. Entre brasileiros e estrangeiros, serão tratados por nós.

Como está a Agenda de Desenvolvimento, que foi proposta pelo Brasil?
Eu diria que tem sido muito bem-sucedida. As 45 recomendações que constituem a agenda foram adotadas pelos Estados-membros em 2008 e, desde então, temos implementado, de várias formas. Foram aprovados 19 projetos para executar as recomendações. Estamos adotando o tema do desenvolvimento por toda a organização, fazendo com que todos os setores levem desenvolvimento em conta. Fechamos este ano um novo tratado em Pequim, para proteger os direitos de performances audiovisuais, que remete à Agenda de Desenvolvimento.

Em agosto, 40 países se reuniram em Brasília para tratar da proteção do uso comercial de sabedoria ancestral, como se diz. Quais são os resultados práticos dessas discussões?
É parte do nosso programa para desenvolver um instrumento de proteção efetiva de conhecimento tradicional, de expressão cultural tradicional ou folclore. É uma discussão que acontece há 12 anos, e acreditamos que é excepcionalmente importante, porque é uma questão simbólica, icônica. Está levando o sistema de propriedade intelectual a tratar de uma base de conhecimento que não é só européia ou ocidental, mas universal. E nos dá a oportunidade de democratizar a proteção da propriedade intelectual. Os curadores do conhecimento tradicional, que tem grande relação com recursos genéticos, poderão saber que ele não será usado de maneira não autorizada, por terceiros.

Mas há perspectiva de resultado prático?
Sim. Estamos negociando um instrumento que proporcionaria proteção contra a exploração não autorizada. Portanto, sim, eu acredito que há perspectiva de estabelecer normas legais de nível internacional.

O Brasil perdeu nove posições no Índice Global de Inovação e está agora em 58º lugar, enquanto China, Índia e outros emergentes subiram no ranking. O que a experiência deles pode ensinar ao Brasil?
Inovação é à base do êxito econômico. O objetivo do índice é mostrar as melhores práticas, as referências, e tornar possível aos países uma visão de como estão se saindo. As políticas do Brasil na área de inovação estão se tornando mais fortes. A perda de posição é temporária, porque a força da economia e o investimento que está sendo feito em ciência, tecnologia e educação apontam para sucesso no futuro. Ao apresentar o relatório de patentes internacionais do ano passado, o senhor falou, comentando a posição do Brasil naquele ranking, que o crescimento tecnológico é um processo longo. E eu enfatizaria que é um ambiente muito competitivo. A inovação é, cada vez mais, o terreno da concorrência. É o campo de batalha. É o que estamos vendo neste momento, com as guerras de patentes nos aparelhos móveis. Essas batalhas que estão acontecendo entre Apple e Samsung, Apple e Google, entre outras partes dessa indústria. É indicação do que vem por aí, ou seja, que cada vez mais a competição será baseada em inovação.

E como o Brasil está se saindo?
Bem, eu não sou a melhor pessoa para avaliar o Brasil. Exceto para dizer que é uma economia extraordinariamente robusta, que tem recursos humanos maravilhosos. Eu acho que será uma potência de inovação, no futuro.

O senhor diria que o país subiu alguns degraus, pelo menos em propriedade intelectual, que é também parte disso?
Absolutamente. O que nós vimos nos últimos três anos foi o Brasil se mover para abraçar conscientemente a propriedade intelectual, como um mecanismo para equilibrar os interesses concorrentes relativos à inovação. Propriedade intelectual não é a favor de certos interesses ou de outros. É um método para conciliar interesses. Conciliar para assegurar, por um lado, investimentos adequados em pesquisa e desenvolvimento e uma remuneração para a produção que sai dessa pesquisa. Por outro lado, para assegurar que o benefício social da inovação seja compartilhado. O Brasil está abraçando esse mecanismo e partindo para se engajar nele.

De maneira mais geral, o senhor concorda com a afirmação de que o Brasil, hoje, é mais criativo do que inovador?
O Brasil é um líder mundial na indústria da criação. Em música, em performance, em arte, é claramente um líder e é reconhecido assim ao redor do mundo. Tem uma longa história. Mas eu diria que a inovação baseada em ciência também está vindo para o Brasil, no futuro.

Por: Nelson de Sá
Fonte: Folha de São Paulo


terça-feira, 18 de setembro de 2012

A marca da sua empresa passa a mensagem certa?


Especialista fala dos pontos essenciais na hora de criar uma marca e um nome para o seu negócio

Como criar uma marca e um nome para um negócio?


A criação de uma marca exige tempo e dedicação das empresas. Trata-se de uma escolha fundamental, que pode ajudar na construção de uma imagem e de um posicionamento diferenciado no mercado.
O primeiro passo é investir no planejamento da marca. Buscar o apoio de um profissional especializado e verificar a existência de outras marcas e ideias similares no mercado são etapas importantes. A marca deve ser criada com base no posicionamento que a empresa quer ter no mercado, já que é ela quem vai passar a mensagem aos consumidores, fornecedores, parceiros e demais públicos.
Uma característica importante é que a marca seja de fácil de lembrar. Nomes longos e difíceis dificultam a assimilação da mensagem. O nome deve ‘grudar’ na mente do consumidor. Durante o processo de levantamento de ideias sobre o melhor nome, as melhores opções são aquelas que você lembra sem ter que olhar a lista de nomes sugeridos. Esses são os nomes que têm maior potencial de “gravação” na memória dos consumidores
Estudos mostram que nomes curtos são melhores para memorização. Por isso, empresas com nomes menores são lembradas com mais freqüência pelos consumidores. Não se trata de uma regra, mas de uma constatação.
Importante também que a marca não tente ser muito parecida com a do concorrente. No curto prazo, pode parecer uma estratégia interessante para se aproximar da marca mais famosa, ou líder do mercado. Mas, no longo prazo, pode deixar sua marca com uma imagem de ‘cópia’ e sem identidade própria. Além de acabar confundindo o cliente, a empresa pode, no pior dos casos, ser processada.
Nomes regionais e pessoais também devem ser bem avaliados. Associar a empresa a uma cidade, por exemplo, pode limitar o crescimento da marca em outras regiões com características diferentes da original. Já o uso do nome pessoal pode manter o empreendedor ligado a um tipo de negócio, e no caso de tentar desenvolver uma nova empresa em outro segmento, poderá ter dificuldades de construir a nova marca. Veja três dicas rápidas para pensar na sua marca:
Tente criar uma nova linguagem. Inventar uma palavra pode ser uma boa saída. Combinar duas palavras ou conceitos pode fazer surgir um nome criativo e inovador. 

Por: Frederico Mafra - especialista em marketing e professor do Ibmec/MGE



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Diferendo pela propriedade intelectual.







O litígio entre as companhias Samsung (Coreia do Sul) e Apple (Estados Unidos), especializadas no setor de alta tecnologia, representa a mas recente ação num meio onde o propósito aponta à dominação num mercado multimilionário em expansão.
Samsung enfrenta a decisão de uma instância judicial norte-americana, impondo-lhe uma multa de milhões de dólares, sob o argumento de violar ao menos seis patentes de tecnologia e desenho da firma estadunidense Apple.
Uma corte federal em San José (Califórnia) considerou que o fabricante sul-coreano violou licenças de sua rival estadunidense relacionadas com a tecnologia e o desenho de zoom táctil de seus telefones inteligentes e do tablet iPad.
Cabe destacar que já no passado ano o fabricante norte-americano formulou uma denúncia contra a entidade asiática por considerar que copiou de forma deliberada os desenhos de seus dispositivos móveis para fabricar sua geração seguinte de telefones e lançar seu tablet Galaxy Tab.
No entanto, a instância judicial recusou uma reclamação da Samsung sobre o fato de que Apple tinha-se apropriado sem autorização de sua tecnologia de telecomunicações 3G e algumas características da câmera de fotos para telefones.
A falha nos Estados Unidos chegou depois de um ditame emitido por um tribunal sul-coreano que considerou ambas as empresas responsáveis de infringir algumas de suas respectivas patentes nos dispositivos móveis.
Depois, Apple apresentou um relatório onde relaciona oito modelos de telefones inteligentes da Samsung que deveriam deixar de ser comercializados no mercado norte-americano.
Como argumento está a menção de que os dispositivos fragilizam alguma das seis patentes que a corte de San José assinalou como exclusivas do iPhone, no julgamento celebrado na Califórnia.
Entre os modelos mencionam-se o Galaxy S 4G, Galaxy S2 (AT and T), o Galaxy S2 (Skyrocket), Galaxy S2 (T-Mobile), Galaxy S2 Epic 4G, Galaxy S Showcase, Droid Charge e o Galaxy Prevail.
Segundo os especialistas, o impacto nas vendas da Samsung poderia ser mínimo, tomando em conta que a reivindicação da Apple se concentra em dispositivos que contribuíssem menos de 1,4 por cento dos benefícios da firma para o ano que vem.
Evidentemente, diante da existência de um mercado próximo aos 200 bilhões de dólares para os telefones inteligentes, Samsung mantém sua estratégia de lançar novos produtos e nesta ocasião corresponde o turno à segunda geração de seu telefone-tablet Galaxy Note, em desafio a Apple.
Não obstante, a contenda aponta a limitar-se só aos dispositivos mencionados, pois ambas as companhias mantêm uma estreita e imprescindível cooperação em matéria de insumos.
Como exemplo, os especialistas recordaram que os produtos de Samsung representam 26 por cento do custo dos componentes do iPhone -produto emblemático da Apple.
E ainda, as vendas de componentes da companhia sul-coreana estimam-se em 13 bilhões de dólares no próximo ano, a partir de prognósticos da empresa Morgan Stanley.
Segundo analistas da KDB Daewoo Securities, a Samsung é o único provedor de microprocessadores da Apple, utilizados nos principais produtos do fabricante estadunidense.
RIVAIS À ESPERA: À luz do litígio, companhias da concorrência como Nokia e Microsoft estão à espera dos resultados para aproveitar as brechas que possam surgir no mercado.
Para a segunda delas, a controvérsia serviria para abrir passo ante o predomínio do sistema operacional Android de Google, o qual é utilizado em 65 por cento dos telefones inteligentes vendidos em nível mundial.
Na opinião dos especialistas, a falha contrária a Samsung gera riscos legais para os fabricantes de dispositivos, daí a possibilidade de reorientar sua atenção para Microsoft.
A parte de telefones inteligentes com Windows Phone como sistema operacional equivale atualmente a cinco por cento, e aproveitando a atual conjuntura é susceptível de chegar a 30 por cento nos próximos anos.
No entanto, diversos analistas coincidiram na possibilidade de que a Microsoft vá à opção de formar um bloco fechado com a Nokia como sócio, para aportar assim um modelo exclusivo de negócio.

Fonte:
 http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=544922&Itemid=1