terça-feira, 11 de setembro de 2012

Em nome do luxo, marcas bilionárias invadem os tribunais.


Elegantes e exclusivas, empresas de bens de luxo não se incomodam em abandonar a estirpe e partir para verdadeiras batalhas na Justiça – tudo para defender seu maior ativo: a marca.


Uma sola de sapato rendeu uma disputa milionária, e muitas manchetes na imprensa, ao longo da última semana. Não se trata, é claro, de uma sola qualquer, e sim a de um Christian Louboutin – a marca francesa de sapatos que leva o nome de seu criador e que tem os pares mais desejados da 'cena fashion'. Ela conseguiu na Justiça americana, nesta quarta-feira, o direito de exclusividade da sola vermelha em sapatos de salto – detalhe que é considerado sua marca registrada desde 1992. Do outro lado da disputa estava a Yves Saint-Laurent, que desenvolveu uma linha de sapatos com o mesmo solado em vermelho-cereja tão característico de um Louboutin.
            A briga, que estava nos tribunais desde 2011, é apenas a mais recente das dezenas de disputas envolvendo o mundo do luxo nos últimos anos. Enquanto pregam a elegância e a exclusividade de produtos em suas maisons, as empresas do segmento não se importam em descer do salto e travar brigas escandalosas na Justiça – tudo para defender suas marcas de companhias que se apropriam de um atributo aqui e outro acolá, quando não copiam ostensivamente um produto ou um logo, para outros fins.
            Engana-se quem pensa que as preocupações de empresas como Louis Vuitton e Chanel restringem-se às cópias asiáticas vendidas aos milhares. As razões de contencioso vão desde a cor que é marca registrada de uma companhia, o tipo de fonte do holograma, ou até o modelo de um sapato "inspirado" em outro já existente. "As marcas só conseguem cobrar o valor que cobram por seus produtos porque elas são muito valiosas. Quando elas entram em disputas judiciais, estão brigando por isso também", afirma Eduardo Tomiya, diretor da Brand Analytics. No mercado de consumo de luxo, aliás, o maior ativo de uma empresa é justamente sua marca, diz o executivo.
            A Louis Vuitton é a mais valiosa marca de luxo do mundo, avaliada em 25,9 bilhões de reais em 2012, segundo um estudo da consultoria Millward Brown (veja quadro). Ainda de acordo com o levantamento, a soma dessa cifra com a das outras nove marcas mais valiosas do setor chega a 65 bilhões de dólares – um número recorde para o segmento, mesmo em período de crise nos Estados Unidos e na Europa, que são os grandes mercados consumidores de produtos exclusivos.
            Busca da diferenciação – Mesmo que o consumo nos países desenvolvidos esteja mais acomodado, a ascensão dos emergentes tem impulsionado o valor dessas marcas. Para Jaime Troiano, presidente do Grupo Troiano de Branding, a ascensão das classes C e D a maiores patamares de consumo em mercados como Brasil e China faz com que os 'endinheirados' busquem ainda mais o luxo como forma de diferenciação. "As classes privilegiadas estão se refugiando cada vez mais em produtos exclusivos porque, em muitos casos, querem preservar uma posição social diferenciada, que, de alguma maneira, tem sido ameaçada pela chegada das classes populares ao consumo de eletroeletrônicos, roupas e automóveis", afirma.
            Troiano acredita que, enquanto as barreiras do consumo continuar sendo transpostas pela população mundial, os valores das marcas de luxo continuarão aumentando – e suas donas brigarão outras vezes para defendê-las.

Quem é dono do vermelho dos sapatos Louboutin?

Criar sapatos de salto com uma sola vermelha foi uma ideia inovadora do designer francês Christian Louboutin, colocada em prática em 1992, e que acabou virando sua marca registrada. Louboutin não inventou o vermelho e tampouco o uso de cores em solados. Porém, quando a marca Yves Saint-Laurent lançou um modelo de sapatos com a mesma sola vermelha, Louboutin foi à Justiça americana em um processo contra a concorrente. A decisão final, anunciada na última quarta-feira, foi favorável ao designer francês e a YSL terá de desembolsar 1 milhão de dólares em multas.






segunda-feira, 10 de setembro de 2012

No Brasil, dono da marca é quem a registra primeiro.



Obter retorno sobre o capital investido, lidar com a concorrência e as novas tecnologias e gerenciar custos. Esses são os principais desafios dos empresários brasileiros. Diante de um cenário de instabilidade, é imprescindível que os tomadores de decisões estejam sempre atentos a possíveis impactos em seus negócios, mantendo o foco em planejamentos mais eficientes, nos investimentos em inovação e no estabelecimento de novos acordos.
            Entretanto, essas não são as únicas barreiras empresariais a serem vencidas. Um assunto importante, mas que continua em segundo plano para muitos empresários brasileiros, diz respeito à marca. A marca tem a função de identidade perante o consumidor. É por meio dela que distinguimos uma empresa no mercado e visualizamos a autenticidade e a reputação de um produto ou serviço. Não é à toa que marcas como Coca-ColaSantander e Marlboro valem mais de R$ 50 bilhões, cada uma. De fato, o tema chama atenção das grandes corporações.
            Enquanto isso, os empresários de menor porte continuam pensando erroneamente que a construção de uma marca forte e consolidada é algo que compete apenas às gigantes do mercado, as quais dispõem de milhões para investir em marketing e comunicação. A marca é a extensão da filosofia, das políticas e práticas da empresa. Ela resume, por meio de uma imagem trabalhada, as missões, objetivos e valores. Sua importância é extremamente maior do que sua aplicação em papeis timbrados.
            É importante salientar que, no Brasil, inúmeras marcas podem estar com os dias contados, se o empresário não se preocupou em registrá-la a fim de deter a exclusividade, obter sua propriedade e impedir terceiros de utilizá-la. Na prática, uma marca pertence a quem inicia primeiro o registro. Este é o entendimento do Judiciário. Não são mais admitidas negligências por parte do empresário, que deve sempre buscar a tutela do Estado.
            Se um terceiro registrou a mesma marca e o empresário nada fez para impedir o processo administrativo, na autarquia competente opondo-se a este, está fadado inexoravelmente a perder sua marca. É o que tem ocorrido com marcas existentes no mercado sem registro de propriedade, o direito de precedência previsto no artigo 129, parágrafo 1º da Lei de Propriedade Industrial. Conforme o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, esse direito deve ser exercido pelo interessado no ato da publicação da marca. Caso contrário, não poderá fazê-lo posteriormente, sendo impedido de utilizar a marca, pois este terá outro titular.
            Vale ressaltar que uma marca vai muito além da identificação de um produto ou serviço, por um nome ou logotipo. Ela tem o poder de transmitir uma série infinita de associações, informações e até mesmo expectativas. Qualquer empreendedor que deseja ter um negócio cuja influência ultrapasse a região em que vive, precisa se preocupar com a construção da marca.

Por: Maria Isabel Montañes
Fonte: Revista Consultor Jurídico

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Bradesco lidera ranking de marcas.



Apesar da mais valiosa entre as seguradoras do país ser a Porto Seguro, no consolidado, é a Bradesco que mais se destaca. Isso por que o segmento de seguros responde por cerca de 30% do lucro da operação de todo o grupo financeiro que, por sua vez, ocupa a segunda posição no ranking das marcas mais valiosas do país em 2012, de acordo com análise da BrandAnalytics
"O Bradesco tem uma marca de seguros muito forte, sua importância é muito grande, especialmente em previdência privada", comentou o diretor geral da companhia, Eduardo Tomiya. "E quando a cliente pensa em seguro, previdência privada, fica ainda mais óbvio o valor da marca, pois o consumidor está pensando nos próximos 60 anos.", disse, ao comentar um dos motivos da força da marca.
O valor da marca do grupo segurador no Bradesco no ranking das brasileiras mais valiosas de 2012 foi de US$ 3,442 milhões, enquanto a Porto Seguro atingiu os US$ 500 milhões.
Saúde
Outro grande motivo do Bradesco ter força no mercado é seu seguro saúde, especialmente para pessoa jurídica. "O seguro saúde para empresas do Bradesco é muito importante, seus atributos são muito fortes. Há muita gente que vê o plano de saúde da empresa, especialmente quando Bradesco, como um dos motivos para aceitar o trabalho", comentou.
Apesar de ser o terceiro colocado entre as marcas mais valiosas, logo após o Bradesco, o Itaú não possui o setor de seguros muito forte quando se exclui a participação da Porto Seguro - de acordo com Tomiya, responde apenas por 12% do lucro total do grupo.
A SulAmérica, mesmo sendo uma das seguradoras mais valiosas do Brasil, não chegou a ficar entre as 50 maiores marcas do país - o que a Amil, com seu seguro saúde, conseguiu, alcançando a 37ª posição, com US$ 295 milhões.
A associação entre Banco do Brasil e a Mapfre, que deu origem ao Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre (e cujo processo de integração foi finalizado neste ano) ainda deve render bons frutos, uma vez que o grupo vem "entrando forte no mercado".